{"id":2594,"date":"2020-02-28T17:54:18","date_gmt":"2020-02-28T20:54:18","guid":{"rendered":"https:\/\/pixforce.ai\/?p=2594"},"modified":"2023-09-01T17:58:22","modified_gmt":"2023-09-01T20:58:22","slug":"a-tecnologia-para-cair-na-folia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pixforce.com\/pt-br\/a-tecnologia-para-cair-na-folia\/","title":{"rendered":"A tecnologia para cair na folia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Muito al\u00e9m de samba-enredo \u2013 como a tecnologia pode mudar a experi\u00eancia da maior festa popular do Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Considerada a maior festa popular brasileira, o Carnaval tem suas ra\u00edzes nas festas pag\u00e3s da Antiguidade: entre novembro e dezembro, gregos, romanos e outros povos celebravam a colheita com muita m\u00fasica, dan\u00e7a e comida. Com o advento do Cristianismo, as tradicionais celebra\u00e7\u00f5es pag\u00e3s foram incorporadas para se adequar ao calend\u00e1rio crist\u00e3o e ressignificadas para atrair os fi\u00e9is. A festa mudou de data e passou a anteceder a Quaresma, um per\u00edodo de medita\u00e7\u00e3o, recolhimento e penit\u00eancia que dura at\u00e9 a P\u00e1scoa. Possivelmente, a origem do nome vem do latim carnis levale, que significa \u201clevar a carne\u201d.<\/p>\n<p>O Carnaval era, ent\u00e3o, uma oportunidade para o povo extravasar e se entregar aos excessos. Durante os 40 dias da Quaresma at\u00e9 a P\u00e1scoa, os fi\u00e9is deviam se recolher, se reconectar com Deus e n\u00e3o consumir carne. Por esse motivo a ter\u00e7a-feira de Carnaval \u00e9 chamada de ter\u00e7a gorda, significando a \u00faltima oportunidade para as pessoas cometerem v\u00e1rios pecados capitais, como a Gula e a Lux\u00faria.<\/p>\n<h2>Um dedinho de hist\u00f3ria<\/h2>\n<p><em>Desfile do Mardi Gras nos EUA, 1925 \u2013 Imagem: Bettmann \/ Bettmann Archive<\/em><\/p>\n<p>A festa foi evoluindo junto com a sociedade. No s\u00e9culo 13, surgiram os primeiros bailes de m\u00e1scara direcionados \u00e0 nobreza na Europa, principalmente na It\u00e1lia. Nesse per\u00edodo, marcado pelo surgimento da commedia dell\u2019arte, as primeiras can\u00e7\u00f5es de Carnaval foram compostas em ritmos dan\u00e7antes para acompanhar os desfiles do povo fantasiado que seguia as carruagens decoradas chamadas de trionfi.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo 19, o Carnaval j\u00e1 era uma festa do povo por toda a Europa e nos Estados Unidos. As fantasias se diversificaram e passaram a representar outros personagens al\u00e9m dos tradicionais Arlequim, Pierr\u00f4 e Colombina italianos. Grandes carros aleg\u00f3ricos, puxados por cavalos ou autom\u00f3veis, j\u00e1 apresentavam estruturas parecidas com as que conhecemos hoje.<\/p>\n<h2>O Carnaval no Brasil<\/h2>\n<p>Em terras tupiniquins, o Carnaval come\u00e7ou a ser introduzido pelos portugueses por meio do entrudo, uma brincadeira um pouco violenta muito popular em Portugal. Praticado em massa pelos escravos e classes mais pobres, consistia em sujar uns aos outros com l\u00edquidos e outras subst\u00e2ncias pastosas, como \u00e1gua misturada com farinha, lim\u00e3o de cheiro, lama e at\u00e9 urina. Foi bastante reprimido pela imprensa e pela pol\u00edcia, por press\u00e3o das elites.<\/p>\n<p>Mesmo com a repress\u00e3o, o povo ainda enchia as ruas com cord\u00f5es e ranchos, seguindo m\u00fasicos e tocadores de bumbo (os primeiros blocos de rua!). Conhece a famosa marchinha \u201c\u00f4, abre alas\u201d? A m\u00fasica composta por Chiquinha Gonzaga \u00e9 considerada a primeira marchinha, composta em 1899. O primeiro samba s\u00f3 viria em 1910, na letra de Donga e Mauro de Almeida.<\/p>\n<p>De l\u00e1 pra c\u00e1, o Carnaval s\u00f3 cresceu e virou a maior festa popular do Brasil. S\u00e3o bilh\u00f5es de reais todo ano movimentando a economia e promovendo marcas de diversos segmentos.<\/p>\n<h2>E o que a tecnologia tem a ver com isso?<\/h2>\n<p>Apesar da milenar carga hist\u00f3rica, o Carnaval vem recebendo cada vez mais investimentos de empresas para garantir inova\u00e7\u00e3o e tornar a festa mais voltada para o futuro. E o povo vem acompanhando as mudan\u00e7as. As fantasias seguem os memes e \u00edcones da cultura do pop do momento, alavancados pelas redes sociais. O celular \u00e9 parte imprescind\u00edvel para transmitir a festa em tempo real nas redes.<\/p>\n<p>Este ano, a tecnologia foi o tema da hist\u00f3rica escola de samba Rosas de Ouro, de S\u00e3o Paulo. O enredo, intitulado Tempos Modernos, falou sobre a <strong>4\u00aa Revolu\u00e7\u00e3o Industrial<\/strong> e levou at\u00e9 mesmo um rob\u00f4 para a avenida do samba. O carnavalesco Andr\u00e9 Machado explicou que n\u00e3o bastava apenas falar sobre a tecnologia, mas tamb\u00e9m lev\u00e1-la para o samb\u00f3dromo. Por isso, a Rosas de Ouro lan\u00e7ou o aplicativo <strong>Carnaval 4.0<\/strong>, que podia ser usado para enxergar o sexto carro aleg\u00f3rico da agremia\u00e7\u00e3o, que foi produzido para ser visto exclusivamente com realidade aumentada. O app ainda conta com um quiz educativo e outras experi\u00eancia de realidade aumentada durante o desfile, al\u00e9m de acompanhar em tempo real o n\u00edvel de emo\u00e7\u00e3o dos componentes ao desfilarem.<\/p>\n<p>A escola contou com o apoio de mais de 30 empresas, incluindo gigantes como a Dasa, Nokia, People+Strategy e GS1. Isso tornou poss\u00edvel o desfile de rob\u00f4s como o ROXP4, protagonista do enredo, e um rob\u00f4 su\u00ed\u00e7o que distribuiu baquetas aos integrantes da bateria. O desfile da escola fez uma linha do tempo, passando pelas 3 Revolu\u00e7\u00f5es Industriais anteriores e contou um pouco sobre a hist\u00f3ria da tecnologia.<\/p>\n<p>Outra agremia\u00e7\u00e3o a levar a tecnologia para o samb\u00f3dromo Anhembi foi a \u00c1guia de Ouro, campe\u00e3 do carnaval paulista em 2020, como parte de seu enredo sobre a evolu\u00e7\u00e3o do conhecimento humano. O t\u00edtulo do enredo \u201cO poder do Saber \u2013 se saber \u00e9 poder\u2026 Quem sabe faz a hora, n\u00e3o espera acontecer\u201d tratou de grandes inven\u00e7\u00f5es humanas, desde a descoberta dos usos do fogo e da roda at\u00e9 um futuro de esperan\u00e7a na sustentabilidade e nos rob\u00f4s.<\/p>\n<p>Outras escolas de samba, tanto do Rio quanto de S\u00e3o Paulo, inovaram utilizando a tecnologia em menor escala em seus desfiles. LEDs nas fantasias, aplicativos e filtros de realidade aumentada para o Instagram, al\u00e9m de aplica\u00e7\u00f5es de ponta nos carros aleg\u00f3ricos s\u00e3o alguns exemplos.<\/p>\n<h2>Muito al\u00e9m de temas de enredo\u2026<\/h2>\n<p>A tecnologia n\u00e3o caiu apenas no samba neste Carnaval. V\u00e1rios dispositivos foram usados para melhorar a seguran\u00e7a no carnaval de rua em diferentes estados, inclusive <strong>Intelig\u00eancia Artificial<\/strong> e <strong>Vis\u00e3o Computacional<\/strong>.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, 50 drones do Governo Estadual foram colocados em servi\u00e7o para monitorar os 644 blocos que desfilam pela cidade, identificando suspeitos de crimes e encontrando pessoas desaparecidas. A prefeitura disponibilizou quatro drones para auxiliar a tarefa dos agentes no monitoramento do tr\u00e2nsito e para evitar conflitos.<\/p>\n<p>O pol\u00eamico <strong>reconhecimento facial<\/strong> est\u00e1 sendo testado pela pol\u00edcia soteropolitana atrav\u00e9s do aplicativo Face Check. A ideia \u00e9 testar o recurso, que ser\u00e1 utilizado em pontos estrat\u00e9gicos no Carnaval de Salvador. Com o app, os agentes conseguem usar a <strong>Vis\u00e3o Computacional<\/strong> para cruzar as informa\u00e7\u00f5es dos suspeitos com um banco de dados.<\/p>\n<h3>\u00d4 abre alas que o futuro quer passar\u2026<\/h3>\n<p>\u00c9 nesse clima de inova\u00e7\u00e3o (e renova\u00e7\u00e3o!) que o Carnaval vem se reinventando nos \u00faltimos anos. A tend\u00eancia \u00e9 que a maior festa do Brasil v\u00e1 se moldando aos poucos. O objetivo \u00e9 integrar cada vez mais os \u00faltimos lan\u00e7amentos tecnol\u00f3gicos para tornar a experi\u00eancia mais rica, imersiva, divertida e, principalmente, acess\u00edvel para todos os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>O Carnaval brasileiro \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o historicamente popular, com profundas ra\u00edzes na religi\u00e3o e na cultura afrobrasileiras, herdadas do per\u00edodo escravista. Tanto que suas principais agremia\u00e7\u00f5es e sociedades carnavalescas, ao contr\u00e1rio do per\u00edodo colonial, est\u00e3o situadas em comunidades e \u00e1reas perif\u00e9ricas. Por isso, falar de tecnologia e futuro representa um desafio. \u00c9 preciso mostrar que o povo pode ter acesso a esse futuro e que ele j\u00e1 est\u00e1 acontecendo de diversas maneiras.<\/p>\n<p>Com tanto potencial, cabe aos governos e as empresas focadas na inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica unirem a festa do povo com a tecnologia, por meio de parcerias e investimentos. J\u00e1 \u00e9 de conhecimento geral que o Carnaval gera bastante retorno, n\u00e3o apenas em termos financeiros, mas tamb\u00e9m em termos de engajamento e constru\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos, por isso as marcas mais vanguardistas n\u00e3o demoraram para aparecer como patrocinadoras em camarotes, blocos e escolas de samba. A visibilidade e credibilidade criam um relacionamento mais intimista com as pessoas, que enxergam as marcas de maneira diferenciada e, consequentemente, tendem a elevar o valor delas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito al\u00e9m de samba-enredo \u2013 como a tecnologia pode mudar a experi\u00eancia da maior festa popular do Brasil Considerada a maior festa popular brasileira, o Carnaval tem suas ra\u00edzes nas festas pag\u00e3s da Antiguidade: entre novembro e dezembro, gregos, romanos e outros povos celebravam a colheita com muita m\u00fasica, dan\u00e7a e comida. 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