{"id":2586,"date":"2020-02-14T17:45:21","date_gmt":"2020-02-14T20:45:21","guid":{"rendered":"https:\/\/pixforce.ai\/?p=2586"},"modified":"2023-09-01T17:50:01","modified_gmt":"2023-09-01T20:50:01","slug":"inteligencia-artificial-na-torre-de-babel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pixforce.com\/pt-br\/inteligencia-artificial-na-torre-de-babel\/","title":{"rendered":"Intelig\u00eancia artificial na Torre de Babel"},"content":{"rendered":"<p><strong>Como a tecnologia pode quebrar barreiras entre idiomas<\/strong><\/p>\n<p>Qual superpoder voc\u00ea gostaria de ter? As respostas mais comuns, invariavelmente, v\u00e3o para os clich\u00eas: voar, poder ficar invis\u00edvel, ter superfor\u00e7a\u2026 Mas voc\u00ea j\u00e1 imaginou poder se comunicar com qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, falando a pr\u00f3pria l\u00edngua dela? Parece coisa de superg\u00eanio ou de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. No entanto, a tecnologia j\u00e1 est\u00e1 avan\u00e7ando para resolver esse impasse lingu\u00edstico.<\/p>\n<p>Segundo o Ethnologue, considerado o maior invent\u00e1rio de idiomas do mundo, existem quase sete mil l\u00ednguas em uso. Considera-se ainda o local onde s\u00e3o faladas e quantas pessoas falam. Quando pensamos em um idioma universal, vem logo \u00e0 mente o ingl\u00eas, por\u00e9m o idioma mais falado do mundo \u00e9 o mandarim, com cerca de 870 milh\u00f5es de pessoas que o utilizam. Em segundo lugar, est\u00e1 o hindi e em terceiro est\u00e1 o espanhol; o ingl\u00eas aparece no quarto lugar e o portugu\u00eas em s\u00e9timo.<\/p>\n<p>Com essa imensa variedade lingu\u00edstica, e considerando que o Ethnologue n\u00e3o abrange 100% dos idiomas e dialetos do mundo, fica humanamente imposs\u00edvel conseguir falar todas essas l\u00ednguas. Ali\u00e1s, essa capacidade de falar m\u00faltiplas l\u00ednguas \u00e9 chamada de hiperpoliglotismo, atribu\u00edda a pessoas que dominam mais de 11 idiomas. Tecnicamente, n\u00e3o existe um limite comprovado para a quantidade de idiomas que uma pessoa \u00e9 capaz de aprender. Por\u00e9m, conhecer um idioma \u00e9 diferente de domin\u00e1-lo e os crit\u00e9rios para definir esse dom\u00ednio s\u00e3o bastante subjetivos. Por isso, \u00e9 dif\u00edcil determinar quem \u00e9 a pessoa capaz de falar mais idiomas no mundo. Debate-se que o maior hiperpoliglota que j\u00e1 existiu possa ter sido um monge italiano que viveu entre os s\u00e9culos 18 e 19, supostamente falando fluentemente mais de 100 l\u00ednguas e dialetos.<\/p>\n<h2>Como decifrar o labir\u00edntico po\u00e7o sem fundo dos significados?<\/h2>\n<p>Todo mundo com acesso \u00e0 internet conhece o Google Tradutor. Embora n\u00e3o seja a \u00fanica ferramenta de tradu\u00e7\u00e3o existente, o Google Tradutor vem se reinventando. S\u00e3o muitas as cr\u00edticas \u00e0 sua incapacidade de prover uma tradu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o fosse ris\u00edvel de t\u00e3o ao p\u00e9-da-letra. Esse tipo de m\u00e1 tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 mais frequente em idiomas pouco conhecidos, principalmente porque a tradu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 direta. Primeiro, a ferramenta traduz o idioma de origem para o ingl\u00eas e s\u00f3 depois traduz para o idioma desejado. Com tantos processos de tradu\u00e7\u00e3o, inevitavelmente se perde bastante coisa, principalmente a ess\u00eancia do significado, e o \u00faltimo recurso \u00e9 tentar traduzir ao p\u00e9-da-letra.<\/p>\n<p>\u00c9 gra\u00e7as a essa m\u00faltipla ess\u00eancia de significados, que podem variar de acordo com o contexto, com a entona\u00e7\u00e3o ou com uma diversidade de outras vari\u00e1veis, que as l\u00ednguas s\u00e3o t\u00e3o ricas e complexas. Resumidamente, dominar um idioma, isto \u00e9, ser fluente, \u00e9 a capacidade de se comunicar com facilidade, clareza e o mais naturalmente poss\u00edvel. Todos n\u00f3s que nascemos no Brasil somos fluentes em portugu\u00eas, nossa l\u00edngua oficial. Por\u00e9m h\u00e1 muitas varia\u00e7\u00f5es que geram entraves na comunica\u00e7\u00e3o, como sotaques carregados e palavras que diferem de local para local. Um exemplo \u00e9 o famoso embate biscoito x bolacha ou o \u201cnordestin\u00eas\u201d, com sua riqueza de express\u00f5es. Isso sem falar na variantes do portugu\u00eas utilizado em outros pa\u00edses e regi\u00f5es lus\u00f3fonas, como Portugal, Angola, Mo\u00e7ambique e Gal\u00edcia.<\/p>\n<h2>E a tecnologia com isso?<\/h2>\n<p>\u00c9 um desafio para os tradutores, tanto humanos quanto tecnol\u00f3gicos, tentar captar a ess\u00eancia dentro dessa infinita gama de varia\u00e7\u00f5es de significados de um idioma. Por isso, a boa tradu\u00e7\u00e3o leva tempo e dedica\u00e7\u00e3o para ser feita. O objetivo \u00e9 preservar ao m\u00e1ximo o significado original, assim a adapta\u00e7\u00e3o ao idioma de destino \u00e9 plenamente bem-sucedida.<\/p>\n<p>Nos primeiros momentos da <strong>Intelig\u00eancia Artificial<\/strong>, os computadores apenas obedeciam mecanicamente o que os programadores ditavam atrav\u00e9s dos c\u00f3digos de comando.<\/p>\n<p>Quando a Intelig\u00eancia Artificial se aperfei\u00e7oou atrav\u00e9s de <strong>Machine Learning<\/strong>, os sistemas conseguiam \u201caprender\u201d sozinhos atrav\u00e9s de padr\u00f5es e contextos para calcular qual a poss\u00edvel melhor tradu\u00e7\u00e3o. Ainda assim, o modelo era rudimentar demais. Quebrava um galho, sim, mas havia muita margem para melhorar. Foi a\u00ed que, a partir de 2016, o Google passou a usar as redes neurais artificiais. De forma resumida, as redes neurais artificiais foram pensadas para simular a rede neural humana. Elas levam informa\u00e7\u00f5es para o c\u00e9rebro (no caso, a Intelig\u00eancia Artificial) numa velocidade muito maior e com muito mais quantidade de dados que o c\u00e9rebro humano \u00e9 capaz.<\/p>\n<p>Essas redes neurais artificiais s\u00e3o baseadas em dois m\u00e9todos diferentes: <strong>Deep Learning<\/strong> (aprendizado profundo) e representation learning (aprendizado por representa\u00e7\u00e3o). Cada um \u00e9 aplicado para tentar representar o pleno funcionamento do racioc\u00ednio humano ao se comunicar em sua linguagem nativa. Dessa forma, ao contr\u00e1rio dos sistemas tradutores por estat\u00edstica (como as primeiras vers\u00f5es do Google Tradutor), a m\u00e1quina \u00e9 consegue discernir entre diferentes graus de abstra\u00e7\u00e3o de um contexto. S\u00e3o avaliados v\u00e1rios aspectos da situa\u00e7\u00e3o exigida como um todo para montar o quebra-cabe\u00e7a da tradu\u00e7\u00e3o considerando muito mais nuances e varia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h2>Ent\u00e3o, a Torre de Babel vai ruir?<\/h2>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil prever o futuro, principalmente quando o debate invariavelmente descamba para vis\u00f5es extremistas onde o mundo \u00e9 dominado por m\u00e1quinas e o fator humano \u00e9 desconsiderado. Mas o pessoal do Google diz que n\u00e3o. A comunica\u00e7\u00e3o e a linguagem humana s\u00e3o muito mais complexas do que os sistemas de tradu\u00e7\u00e3o se prop\u00f5em a ser. Ferramentas como o Google Tradutor (e tantos outros!) s\u00e3o apenas meios de facilitar essa intera\u00e7\u00e3o mais complexa. Depende de emo\u00e7\u00e3o, linguagem corporal e muitos outros fatores culturais e subjetivos, exclusivamente humanos.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente esse repert\u00f3rio infinito de particularidades humanas, como as diferen\u00e7as culturais, que fazem com que os sistemas de tradu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica n\u00e3o sejam substitutos definitivos para os tradutores humanos profissionais. Apesar da velocidade e da qualidade da tradu\u00e7\u00e3o automatizada, ainda \u00e9 necess\u00e1rio que um humano revise o conte\u00fado e procure por nuances que o sistema n\u00e3o \u00e9 capaz de detectar, como quest\u00f5es de variantes lingu\u00edsticas e usos correntes. Dentro do portugu\u00eas mesmo encontramos esse impasse.<\/p>\n<p>Algumas palavras totalmente banais e cotidianas para os portugueses de Portugal s\u00e3o palavr\u00f5es muito chulos e ofensivos para os brasileiros. Outras ca\u00edram em desuso e s\u00e3o consideradas extremamente arcaicas. Ser\u00e1 que o sistema pode avaliar esse vi\u00e9s t\u00e3o subjetivo e t\u00e3o cheio de carga hist\u00f3rica e cultural?<\/p>\n<h2>Desafios, challenges ou retos*?<\/h2>\n<p>Outra quest\u00e3o importante \u00e9 a imposi\u00e7\u00e3o de um idioma sobre o outro. A maioria da produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado plenamente acess\u00edvel existente na internet est\u00e1 em ingl\u00eas e outras l\u00ednguas \u201cgrandes\u201d, como franc\u00eas, espanhol e alem\u00e3o. Por isso, para idiomas mais restritos, como dialetos ind\u00edgenas e tribais, a tradu\u00e7\u00e3o direta \u00e9 prec\u00e1ria. O \u00fanico jeito \u00e9 fazer uma tradu\u00e7\u00e3o indireta. Isto significa traduzir o idioma de origem para o ingl\u00eas e, a partir da\u00ed, traduzir para o idioma de destino).<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o privilegia o imperialismo online desses idiomas \u201cgrandes\u201d num sistema que se retroalimenta. Digamos que voc\u00ea \u00e9 um galego que quer escrever para o mundo sobre seus costumes. Como h\u00e1 pouco conte\u00fado em galego (em compara\u00e7\u00e3o com as l\u00ednguas-irm\u00e3s, o portugu\u00eas e o espanhol), as ferramentas de tradu\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e3o de capazes de apreender tudo o que voc\u00ea quer passar e muito se perder\u00e1 na tradu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica para o portugu\u00eas ou espanhol. Ent\u00e3o, \u00e9 melhor que voc\u00ea escreva logo em uma dessas l\u00ednguas para que a tradu\u00e7\u00e3o seja mais completa e rica.<\/p>\n<h2>Quero um gadget de tradu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica para ontem!<\/h2>\n<p>J\u00e1 existem op\u00e7\u00f5es de fones de ouvidos que oferecem tradu\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea, mas ainda n\u00e3o s\u00e3o muito acess\u00edveis (tanto em termos de pre\u00e7o quanto em termos de variedade de idiomas). No entanto, esses gadgets s\u00e3o bons recursos. A tecnologia deles j\u00e1 foi aprimorada para reconhecer sotaques e diminuir a interfer\u00eancia de ru\u00eddos ao fundo em ambientes barulhentos.<\/p>\n<p>Embora ainda em processo de desenvolvimento, a tecnologia aplicada na supera\u00e7\u00e3o de fronteiras idiom\u00e1ticas j\u00e1 nos auxilia a formar conex\u00f5es e expandir a comunica\u00e7\u00e3o. A capacidade de aprender idiomas pode ser considerada um dom, al\u00e9m de um privil\u00e9gio que n\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7\u00e1vel por todas as camadas de uma popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez nunca seja poss\u00edvel existir um \u201cpeixe babel\u201d. O personagem criado por Douglas Adams no \u201cGuia do Mochileiro das Gal\u00e1xias\u201d conhece todas as l\u00ednguas do universo e permite uma comunica\u00e7\u00e3o limpa e confi\u00e1vel. Ainda assim, a tecnologia sempre se reinventa e se aperfei\u00e7oa para chegar o mais perto poss\u00edvel do inimagin\u00e1vel: promover uma comunica\u00e7\u00e3o perfeita entre pessoas que n\u00e3o conhecem o idioma umas das outras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como a tecnologia pode quebrar barreiras entre idiomas Qual superpoder voc\u00ea gostaria de ter? As respostas mais comuns, invariavelmente, v\u00e3o para os clich\u00eas: voar, poder ficar invis\u00edvel, ter superfor\u00e7a\u2026 Mas voc\u00ea j\u00e1 imaginou poder se comunicar com qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, falando a pr\u00f3pria l\u00edngua dela? 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